Após dois anos, buscas por onze vítimas da tragédia de Brumadinho continuam

Dois anos após uma das maiores tragédias do país, familiares das vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, Minas Gerais, cobram justiça e reforço nas buscas dos corpos de 11 pessoas que continuam desaparecidas. 259 vítimas foram localizadas até agora.

A Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos do Rompimento da Barragem da Mina Córrego do Feijão (Avabrum) realizou uma missa e um ato nesta segunda-feira para homenagear os mortos no desastre. Também foi organizada uma carreata pedindo agilidade da Justiça no julgamento dos responsáveis pela tragédia. Natália de Oliveira, diretora da Avabrum e irmã de uma desaparecida, participou do ato.

O governo de Minas também realizou, nessa segunda-feira, uma cerimônia em homenagem às vítimas na base dos bombeiros em Brumadinho.

Além das 270 vítimas registradas oficialmente, a Associação dos Familiares ainda considera mais duas mortes, porque duas mulheres que perderam a vida no rompimento da barragem estavam grávidas.

A associação critica os recursos repassados pela Vale para pagamento de lucros aos seus acionistas – cerca de R$ 20 bilhões desde que ocorreu a tragédia. Segunda a mineradora, nesse período foram pagos R$ 3,7 bilhões em indenizações e auxílios emergenciais aos atingidos na tragédia.

A engenheira civil Josiane Melo, presidente da Avabrum, que perdeu uma irmã grávida na tragédia, diz que a distribuição dos lucros desrespeita os mortos em Brumadinho.

A Vale logo se recuperou das perdas com a tragédia de Brumadinho, em 2019. Considerando os balanços dos 3 primeiros trimestres de 2020, o lucro líquido acumulado da mineradora é de quase R$ 22 bilhões.

O governo de Minas Gerais e as instituições de Justiça ainda tentam um acordo com a Vale para indenização das vítimas e do Estado, e têm até sexta-feira para isso. Caso não haja acordo, o processo volta a ser julgado na 1ª instância da Justiça mineira.

Fonte: Agência Brasil