A Prefeitura formalizou, nesta quinta-feira, o início das intervenções para readequação da antiga UPA do Barreiro, onde será construído o Hospital de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON). A ordem de serviço foi assinada pela secretária municipal de saúde, Rosania Rabelo, pela vice-prefeita do município, Iraci Gama, por representantes da empresa que executa o projeto, junto à coordenação e direção da Faculdade Estácio de Medicina, e por fundadoras da Associação de Oncologia Nova Vida, em solenidade com a presença do senador Otto Alencar (PSD).

Médico de formação e com uma trajetória marcada não apenas pela vida pública, mas também pela atuação como professor na Faculdade de Medicina da UFBA, Otto Alencar destacou a importância de investimentos com impacto direto na vida das pessoas. O senador enfatizou a luta do município para transformar o espaço, que ficou anos abandonado, em um equipamento de saúde pública, e relembrou a união de esforços – a partir de reuniões com a gestão municipal, o governador, a Faculdade Estácio e a Santa Casa de Misericórdia – que culminaram no documento para a 1ª etapa de execução da obra do hospital.

“Esse prédio ficou tanto tempo sem ser utilizado e foram investidos recursos”, disse o senador, que ressaltou a importância do comprometimento com os investimentos em saúde. “O serviço público de saúde é necessário em todas as instâncias, seja na rede básica, no diagnóstico, no tratamento, no internamento, na cirurgia. Nós temos na Bahia, hoje, 82% da população que depende do Sistema Único de Saúde, o SUS”, afirmou.

Segundo a secretária municipal de saúde, Rosania Rabelo, é justamente voltado ao atendimento integral ao paciente do SUS que o Hospital do Câncer se concretiza. “A 1ª etapa é a readequação, seguida pela implantação de um anexo com 9 especialidades, mais centro de fisioterapia. A conquista é resultado uma luta da gestão e chega atendendo às necessidades da comunidade. Tem paciente nosso que faz o tratamento fora do domicílio que demora meia hora para tomar a medicação, sai daqui 5h30 da manhã e tem que esperar o carro até o fim da tarde para o retorno. O Hospital do Câncer muda a realidade do tratamento a esse paciente, então é certamente uma das mais importantes obras na história da saúde de Alagoinhas”, pontuou a gestora da pasta.

Para a presidente da Associação de Oncologia Nova Vida e vice-presidente do Conselho de Saúde, Ana Lopes – que há 18 anos luta contra um melanoma e conhece de perto a rotina dos pacientes de Alagoinhas –, mais do que uma Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, o espaço significa, para o paciente, “saber que ele tem um amparo dentro da nossa cidade”. “A partir do momento em que esse hospital começar a funcionar, a gente está dentro de casa. Que isso funcione como uma casa mãe, para acolher pacientes de Alagoinhas e da região (…). O poder público está realizando esse sonho hoje em Alagoinhas”, relatou.

Atualmente, uma média de 490 pacientes são encaminhados, todo mês, a Salvador, para tratamento. Realidade que será transformada, a partir da construção da UNACON – que contará com oncologia clínica, central de quimioterapia, serviços de radioterapia, cuidados paliativos, centro de endoscopia digestiva, ambulatório, centro cirúrgico, auditório, laboratório de patologia clínica e anátomo patológico, além de serviços de diagnóstico por imagem e pronto socorro 24 horas voltado ao paciente em tratamento contra o câncer.

“Pra nós é motivo de uma satisfação enorme estar diante das plantas do hospital. Estamos vivendo um dia especial”, salientou a vice-prefeita Iraci Gama, que chamou a atenção não apenas para a importância de uma estrutura completa para tratamento oncológico, mas de um espaço de cuidado integral e humanizado. “É fundamental ter a ciência e o conhecimento, mas nada nesse mundo vai substituir o sentimento. Tenhamos médicos humanitários e sejamos gente em primeiro lugar”, enfatizou Iraci Gama, ao lado do coordenador do curso de medicina da Faculdade Estácio, no município, João Eduardo Pereira, que fez questão de ressaltar o intuito de fazer do hospital um centro de atendimento, pesquisa e ensino em saúde voltado às demandas regionais sem perder de vista a formação de profissionais éticos, humanos no tratamento, e não apenas técnicos.

O investimento inicial – de aproximadamente R$ 3 milhões, nessa 1ª etapa –, é do município (recursos próprios) e também da Faculdade Estácio de Medicina, por meio de um COAPS, um acordo de colaboração firmado com o objetivo de integrar as ações e serviços de saúde na região. A solenidade de assinatura da ordem de serviço contou com a participação de autoridades, membros da gestão municipal, equipe técnica da saúde e também de representantes do Conselho Municipal de Saúde.

Todas as medidas de biossegurança e exigências sanitárias, em decorrência da pandemia do coronavírus, foram adotadas durante a cerimônia de assinatura do documento.