Um grupo de marisqueiras da ilha de Itaparica realizou uma manifestação, na tarde desta terça-feira (8), para cobrar recebimento do auxílio do programa Bolsa Família, do Governo Federal. Os manifestantes, que se dirigiram até a sede da Polícia Federal, no bairro do Comércio, entregaram uma notificação e pediram investigação no caso.

De acordo com manifestantes, pelos menos 450 pessoas estão sem receber repasse do programa social no município há quase dez meses. Eles denunciam supostos recebimentos ilegais por parte dos funcionários públicos, assessores e familiares de políticos.

Em entrevista ao Varela Notícias, o advogado das marisqueiras, Ailton Lordello, explicou a situação das famílias e os trâmites legais.

“A situação das marisqueiras é muito difícil. Elas precisam do Bolsa Família para alimentar seus filhos, mas, infelizmente, algumas delas já foram cadastradas e não recebem. E a suspeita de fraude porque muitas pessoas que não tem o perfil econômico para fazer parte do programa estão recebendo”. E completou sobre a entrega do documento. “Vamos protocolar uma notícia-crime e acompanhar. Nós queremos que haja apuração. Depois da investigação da PF, eles vão indiciar quem praticou a irregularidade e remeter ao Ministério Público Federal as pessoas”, disse.

Dona Rita de Cássia Pereira dos Santos, de 47 anos, é uma das prejudicas pela falta de repasse do programa social. A marisqueira, que recebia a quantia de R$802, mora com nove pessoas numa casa de barro, na Zona rural de Itaparica, e está sem receber desde junho, quando foi beneficiada com o seguro-defeso, no valor de dois salários mínimos.

“O que pesco e o que planto é para comer, não posso vender senão fico com fome. Os benefícios são as únicas coisas que nós temos para sobreviver”, desabafou. Já a filha Juciara Pereira dos Santos, de 21 anos, reforçou a descompromisso da Prefeitura de Itaparica. “A nossa casa tá caindo, a prefeitura disse que ia ajudar, mas até agora nada. Não manda ninguém, ninguém nunca vai lá”, disse.

Procurada pela equipe do VN, a assessoria de comunicação da Prefeitura de Itaparica afirmou que o município não tem nenhuma autonomia sobre o seguro-defeso e sequer sabe quem são as pessoas cadastradas. Além disso, afirmou que a Prefeitura não tem nenhuma ligação com a realização do cadastro, pois trata-se de uma função delegada para as colonias de pescas.

Fonte: Varela Notícias