Em véspera de participar de uma importante Assembléia dos Policiais Militares da Bahia, o deputado estadual Prisco afirmou, durante o Programa Primeira Mão, desta segunda-feira(10/09) que o governador Rui Costa não está cumprindo acordos firmados em 2014, tratando a categoria com inteiro desdém. O deputado falou do caos da segurança pública na Bahia, que só em Salvador registra de 25 a 30 homicídios por final de semana. O Estado tem seis das dez cidades mais violentas do país e ainda a líder do ranking. O âncora do programa, Haroldo Azi, foi categórico: “aqui em Alagoinhas não há segurança, é zero. O Entrevistado arrematou: “isso é na Bahia toda”.

O deputado fez revelações interessantes como a de que as viaturas recém doadas ao município não são novas, apenas reparadas e pintadas. Mostrou-se bem informado sobre as deficiências da área de segurança em Alagoinhas e em todo o Litoral Norte. Considerou gravíssima a situação da delegacia, com fugas de presos constantes, pondo em risco a vida de plantonistas e da população, sobretudo a que se localiza no seu entorno. Na última visita que fez a cidade, o deputado revelou que pediu ao Ministério Público Estadual, a intervenção da unidade.

Alagoinhas e região têm o serviço de segurança precarizado pela falta de um “rabecão” para o transporte dos corpos ao IML. Esse serviço hoje é realizado pelas funerárias, iniciativa que já foi proibida pela justiça, mas que tem continuidade. Prisco alertou que o fato é grave e ilegal, pois compromete toda a investigação criminal.

Prisco fez duras críticas ao governador, segundo ele, interessado apenas em obras faraônicas, mencionando esse modelo de gestão foi adotado pelos envolvidos com a operação Lava Jato. “Preocupação mesmo com a população, o governador não tem, segurança não dá voto”, sentenciou.

O militar se indignou com a postura dos últimos governos, avaliando que está nessa luta pelos direitos da categoria há 14 anos. Até o último acordo com o Governo de 2014 teve o mesmo fim dos demais, mesmo não envolvendo aumento de salário, apenas gratificações, estabelecidas em lei.

“É um absurdo que o profissional da segurança trabalhe sem receber os acréscimos por insalubridade e periculosidade. É a única categoria dos servidores públicos que não os recebe, apesar de estarem previstos em lei desde 2001. Ele desconsidera a lei e nem sequer a regulamenta”.

Prisco detalhou em linhas gerais o quadro da nossa (in) segurança: Faltam 20 mil homens na corporação, o efetivo é carente, equipamentos que não se tem, as condições de trabalho são péssimas, armamento ínfimo comparado ao da criminalidade. Além da falta de estímulo do policial, “aquele que faz o papel mais importante, aquele que expõe sua própria vida pelo cidadão que ele nem conhece”, enfatizou. Lembrando ser o dia internacional de prevenção ao suicídio, o deputado informou que já neste ano houve cinco suicídios na corporação, e que no ano passado foram nove. Para ele, um claro resultado da falta de estímulo à profissão, que sofre com “baixos salários, baixas condições de trabalho, muita pressão, muita cobrança por resultado”.

Fonte: News in foco