Falta de provas. Este é o motivo pelo qual a Polícia Civil e o Ministério Público Estadual (MP-BA) pediram o arquivamento do processo que apura o desaparecimento das crianças Sofia, que à época do desaparecimento tinha 1 ano e quatro meses, e Luna Morena, 5. As duas desapareceram na cidade de Pedrão, no Centro-Norte da Bahia, no dia 28 de abril de 2017.

As crianças são filhas de Robson Luiz Gomes Lima, 32, o Robin, apontado pela polícia como um dos gerentes da Katiara no bairro de Valéria. O corpo dele foi encontrado num matagal com marcas de tiros. Já os corpos da mãe das meninas, Juliana Conceição do Nascimento, 23, e do motorista Danilo Luiz Araújo Souza, 24, estavam dentro do veículo atingido pelos disparos.

A maior angústia da família é saber se as crianças estavam ou não no carro, que seguia para Salvador. “Já são mais de dois anos nesse sofrimento”, lamentou o avô das meninas, Roberto Luiz do Rosário Lima, 62.

O inquérito policial das investigações foi encaminhado ao MP-BA em outubro de 2017. “São vários laudos e tem algumas perícias inconclusivas. Em relação ao sangue, não deu para concluir se as crianças estavam dentro do carro, só aponta o sangue de três pessoas”, disse o delegado ao CORREIO, em matéria publicada no dia 28 de outubro do ano passado.

De acordo com uma fonte da Vara da Criminal de Irará, no centro-norte baiano, onde o processo tramita, o delegado Henrique Morais encaminhou o inquérito ao MP-BA pedindo o arquivamento do caso, mesmo sem a definição da autoria e motivação do crime, e o paradeiro das crianças.

No início das investigações, a polícia suspeitou que o crime podia ter relacão com uma guerra entre duas das quatro facções criminosas que atuam na Bahia: Katiara e Bonde do Maluco (BDM). À frente das investigações, o delegado titular de Pedrão na época, Henrique Moraes, disse que no carro onde estavam Juliana e Danilo havia inscrições do BDM.

No dia 26 de abril de 2018, o MP-BA se manifestou a favor do arquivamento, “sendo assim, incerta a autoria definitiva”, encaminhado o processo para a Justiça – o parecer foi do promotor Anselmo Lima Pereira.

Apesar disso, segundo o Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJ-BA), o processo não está arquivado. Em 18 de dezembro de 2018 foi dado vista ao MP-BA para se manifestar. O CORREIO perguntou o porquê da devolução do processo e, por meio de nota, o TJ-BA infirmou que “por se tratar de processo físico, a Vara Criminal da Comarca de Irará está impossibilitada de prestar as informações solicitadas na presente demanda”.

Desde a última terça-feira (4), o CORREIO vem buscando um posicionamento do MP-BA, sem sucesso. Ainda de acordo com uma fonte na Vara Criminal de Irará, a promotoria criminal tem apenas André Garcia como único representante do MP-BA no local – ele está de férias e, em seu lugar, está a promotora Dila Mara Neves, de Feira de Santana.

Em nota, a Polícia Civil informou que “o procedimento foi encaminhado para a Justiça em 2018. Até a presente data, o Ministério Público não solicitou novas diligências. Após a realização de todos os procedimentos e perícias, ficou concluído que não existem elementos que comprovem que as crianças estiveram no veículo EcoSport. As buscas pelas crianças foram realizadas durante toda a investigação e todas as testemunhas possíveis ouvidas. A conclusão da investigação sobre a morte do casal não identificou autoria e motivação”.

Fonte: Correio