A Polícia Civil encontrou 1.800 arquivos de imagens dos moradores de um condomínio na localidade da Alameda Bela Vista, no bairro do Cabula, em Salvador, salvos no aplicativo de controle do drone de Thiago Mota Silveira. Conforme informações da polícia, o suspeito foi preso em flagrante na noite de sábado (1°) após denúncias das vítimas.

De acordo com a Polícia Civil, os policiais levaram o suspeito e o equipamento para a Central de Flagrantes, que fica na região do Iguatemi, onde a ocorrência foi registrada. Ele foi autuado pelo crime de importunação sexual e liberado em seguida.

A polícia informou que o drone foi apreendido, pois não tinha nota fiscal e licença da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Thiago Silveira também tinha gravações de adolescentes.

A enfermeira Débora Cerqueira mora no condomínio com duas filhas adolescentes e não sabe se elas foram gravadas pelo suspeito. A moradora informou que tem medo de que os conteúdos sejam divulgados em sites pornográficos.

“Imagine aí você está no momento íntimo, sabendo que ele colheu informações e sabe-se lá o que ele vai fazer. Se ele vai colocar em algum site de pornografia ou se ele vai vender para algum lugar. Eu mesmo fiquei muito chocada com essa situação”, disse a moradora do condomínio.

Thiago Silveira trabalhava em uma empresa que produz buffets de festas infantis em outro bairro da capital.

Por meio de nota, a Festeleco informou que não compactua com a postura do suspeito, e disse ainda que ele foi demitido assim que a empresa teve conhecimento do fato.

Segundo o advogado Lucas Cardoso, especialista em direito imobiliário, o condomínio pode adotar medidas coletivas e os moradores que tiveram a intimidade invadida podem entrar com uma ação na Justiça.

“O morador que tiver sua imagem gravada sem autorização, sem prejuízos às sanções do condomínio, ele pode ingressar com uma ação requerendo danos morais e materiais contra esse terceiro que gravou, porque a Constituição Federal estabelece que a privacidade é um direito inviolável”, explicou o advogado.

Fonte: Acorda Cidade