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segunda-feira, março 25, 2019

Programa oferece cursos para ex-detentos na Bahia; “oportunidade de recomeçar”

Ian, de 24 anos, e Givanildo, 47, estavam em horário de aula, mas concordaram em dar uma fugidinha da sala e atender à solicitação da nossa reportagem. Eles são alunos de uma importante atividade, desenvolvida no Centro Estadual de Educação Profissional Newton Sucupira, que fica no bairro de Mussurunga, em Salvador.

Os dois são estudantes do curso profissionalizante de Montador e Reparador de Computadores. Ambos já praticam um ofício: o mais jovem é barbeiro e o colega, pedreiro. No entanto, querem mais. Pretendem aumentar o conhecimento e, consequentemente, suas chances no mercado de trabalho.

Mas as semelhanças entre Ian e Givanildo não param por aí. Eles estão em uma classe de alunos que, também, buscam a reintegração ao convívio social. A turma é formada por pessoas que, em determinado período, estiveram presas por algum crime ou cumprem penas alternativas aplicadas pela Justiça.

O curso é, somente, uma das ramificações do leque de aprendizado oferecido pelo Pronatec Prisional, um programa nacional executado pelo Governo da Bahia com a intenção de ressocializar e criar meios de empregabilidade para internos e egressos do sistema prisional.

“Esse curso dá um certificado reconhecido pelo MEC [Ministério da Educação], que garante para eles novas perspectivas de vida”, salientou a coordenadora do Pronatec Exclusivo da unidade, Maria Lúcia de Alcântara. “Aqui a gente atende aqueles que estão no regime aberto e as aulas acontecem de segunda à sexta-feira, das 18h30 às 21h30”.

A esperança de ter mais possibilidades para ingressar no mercado, após a conclusão do curso, é um sentimento comum entre os participantes. “A gente aprende muita coisa e ganha a oportunidade de recomeçar”, pontuou Ian.

O jovem esteve recluso por um período de quatro anos, mas sabe que sua vida mudou de página e, agora, quer trabalhar para mostrar o que aprendeu. “Eu tenho um amigo que trabalha em uma fabrica de Camaçari e ele me disse que lá sempre surge vaga nessa área”, comentou, esperançoso.

Já Givanildo passou mais tempo na prisão. Cumpriu pena de seis anos e oito meses, mas não por isso está menos motivado. Ele elogiou a estrutura do curso, a qualificação dos professores e falou sobre suas as aspirações futuras.

“Eu quero sair daqui com o meu diploma e encontrar oportunidade lá fora”, disse. “Quero que a sociedade me apoie e me aceite, porque sei que a gente é muito discriminado”, reconheceu.

PRONATEC PRISIONAL

A discriminação citada pelo egresso está, também, entre as preocupações dos gestores do programa. O coordenador do Pronatec Prisional Regional da Bahia, José Antônio Matos, adverte que de nada adianta o esforço do governo do estado se a sociedade não fizer o seu papel.

“Nada disso se reverbera, positivamente, se não tiver uma mudança de comportamento. A sociedade tem que entender que ela precisa dar emprego a essas pessoas, porque senão, o crime vai dar”, enfatizou, acrescentando que não adianta que eles estejam cheio de conhecimentos e certificados, sem oportunidades de emprego.

No entanto, o coordenador lembra que o estado está fazendo sua parte e, na medida do possível, busca a colocação dessas pessoas no mercado de trabalho. Ele informou que a gestão estadual tem um programa que estabelece parcerias com algumas empresas terceirizadas que possibilitam algumas contratações.

“Em Barreiras, por exemplo, vai ter uma reforma no presídio e os internos do curso de pedreiro de alvenaria estão sendo contratados para a obra”, destacou.

Segundo José Antônio, na Bahia, o Pronatec Prisional, que é uma parceria entre as secretarias de Administração Prisional e da Educação, iniciou em agosto de 2018. O programa está atuando em 18 municípios. Foram disponibilizadas 860 vagas para matrículas. “São 25 cursos com 49 turmas em todo o estado, sendo 24 funcionando no regime fechado e 25 no aberto”, explicou Matos.

Entre as vagas disponibilizadas estão as de formação em padeiro, jardinagem, agricultor, confecção de bolsas de couro, pedreiro de alvenaria, e montador e reparador de computadores. “Alguns cursos são direcionados para a economia local da região, onde eles acontecem”, reforçou o coordenador.

As vagas são destinadas àquelas pessoas selecionadas em uma triagem feita, previamente, nas unidades prisionais, priorizando adequá-las ao perfil de cada um. “Existe todo acompanhamento feito por psicólogos e assistentes sociais nessa triagem que é feita, mas a matrícula é feita de forma espontânea, ninguém é obrigado a participar”, esclareceu.

Os participantes do sistema aberto que realizam as atividades em unidades escolares da rede estadual recebem uma bolsa mensal, equivalente ao valor diário de R$ 15, destinada ao custeio de lanche e transporte.

Ainda de acordo com José Antônio, os cursos, na maioria, têm uma carga de 200 horas, incluindo aula teóricas e práticas. O coordenador está orgulhoso do desempenho do programa em seu primeiro semestre de execução no estado, considerando que conseguiu alcançar um número bastante significativo.

“Executamos 80% do que foi ofertado, sendo o melhor resultado do Brasil”, disse. Baseado nisso, existe expectativa que em 2019, a Bahia possa oferecer 2000 vagas. “É o que vamos pleitear, junto ao MEC”, garantiu.

Fonte: Aratu Online
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