Com o objetivo de desarticular uma associação criminosa, radicada em Feira de Santana, que praticava furto e receptação de mercadorias, as Polícias Federal (PF) e Rodoviária Federal (PRF) deflagraram, na manhã desta quinta-feira (14) a operação “Feira Livre”.

A ação conjunta é um desdobramento da Operação “Transbordo”, deflagrada pelas Polícias Federal e Rodoviária Federal de Alagoas em julho de 2018, ocasião em que foram cumpridos mais de 170 mandados judiciais em vários estados, inclusive 38 na Bahia.

Estão sendo cumpridos 17 mandados de prisão (quatro preventivas e 13 temporárias) e 17 mandados de busca nas cidades de Feira de Santana e Salvador, na Bahia; Santa Rita, na Paraíba; e São Paulo, Guarulhos, Mogi das Cruzes e Sumaré, no Estado de São Paulo. Além disso, foi determinado o bloqueio das contas dos principais investigados. Todas as medidas foram expedidas pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Feira de Santana.

Em Feira são 10 alvos, sendo que oito pessoas já foram encaminhadas para prestar depoimento na delegacia e exames de corpo de delito no Departamento de Polícia Técnica (DPT) e duas encontram-se foragidas. Os nomes não foram divulgados.

"Já foram presos quatro empresários receptadores em Feira, sendo um num mercado, e outros dois que funcionavam como entreposto e negociavam com outros comerciantes locais. Toda a célula criminosa, ou seja, os cabeças da organização foram presos hoje, sendo que um deles foi preso em Salvador. Mas os quatro agem em Feira de Santana. Outras pessoas também foram presas, a exemplo de receptadores e motoristas ", informou o policial federal Orlando Borges, em entrevista ao Acorda Cidade.

Cerca de 55 policiais federais e 80 policiais rodoviários federais participam da ação. Durante a investigação, constatou-se que a atuação da quadrilha era baseada no aliciamento de caminhoneiros, mediante vantagem financeira, para que realizassem o desvio, total ou parcial, da carga transportada.

Conforme Orlando Borges, há cargas que foram avaliadas em mais de um milhão de reais. "A maior parte dessas cargas subtraídas era de gêneros alimentícios, de limpeza, de pneus também. Isso impacta no preço do frete e no preço final dos produtos, uma vez que todo esse custo é repassado ao consumidor final. O prejuízo era movimentar os órgãos de segurança ao trabalhar com dados forjados", destacou.

O impacto dos crimes praticados pela associação criminosa ultrapassou a fronteira do estado baiano e atingiu comerciantes de outros estados, como Paraíba e São Paulo. Estima-se um prejuízo de milhões de reais em mercadorias desviadas.

O esquema criminoso se baseava no aliciamento dos motoristas de transporte de carga que forjavam uma situação de roubo da mercadoria ou escoavam parte da carga.

Além disso, havia também os receptadores para a aquisição e posterior comercialização das mercadorias subtraídas, que figuravam como intermediários entre o núcleo da quadrilha e pequenos comerciantes estabelecidos na cidade de Feira de Santana.

Fonte: Acorda Cidade