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domingo, dezembro 02, 2018

Prefeitura de Alagoinhas homenageia centenário de Maria Feijó no encerramento da FLIA

A 1ª edição da Festa Literária de Alagoinhas (FLIA) terminou ontem (29), com declamação de poemas, encenação e painéis em homenagem ao centenário da escritora Maria Feijó.

Descrita pelos pesquisadores como irreverente, a mulher à frente do seu tempo, que saiu de Alagoinhas vislumbrando possibilidades de novos caminhos na trajetória, se tornou membro da Academia Castro Alves de Letras e foi homenageada, no mês em que completaria 100 anos, pelo legado de sua produção intelectual.

No centro da cidade, quem passou pelos estandes da FLIA, nesta quinta-feira, encontrou artistas locais, pesquisadores, admiradores da obra da escritora e amantes da literatura com declamações na praça pública que recebe o nome do também escritor e jornalista Rui Barbosa.

Os atores Jorge Galdino, José Olívio, Noêmia Alves, Gabriel Bandarra, Lia Ferreira, Luana Santana e Luzia Senna abriram a noite de homenagens com uma peça teatral e fizeram intervenções artísticas intercaladas a apresentações acadêmicas de alunos, enquanto as declamações dos poemas de Maria Feijó partiam de Madrilena Berger, Izabel Cristina, Maria Clara Schramm e Eva Evangelista.

No evento, a professora Normandia Azi falou sobre as transgressões de Maria Feijó na década de 50 e ressaltou a importância do repertório, da memória e da produção literária da escritora.

A solenidade de encerramento da FLIA, que começou às 20h, contou ainda com apresentações musicais e de dança. A organização da noite ficou por conta da Casa do Poeta (CASPAL) que, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo (SECET), buscou, na produção local, as referências para realizar a 1ª Festa Literária do município.

Quem finalizou a programação cultural foi Daniela Brandão, que relembrou seus momentos como primeira pesquisadora voluntária em torno da obra de Maria Feijó.

Com mais de 20 livros publicados, a escritora que comandou uma rádio na década de 50 e que muito contribuiu para a ascensão das mulheres brasileiras na literatura do século XX, mas que se viu impelida a sair de Alagoinhas para alcançar os ideais em que acreditava, teve, com a 1ª FLIA, sua obra reconhecida pela cidade onde publicou as primeiras palavras.

A SECET distribuiu um folheto com a biografia da escritora para visitantes e informou que a rede de experiências com a primeira festa literária deve trazer ainda mais repertório e bagagem para que a leitura se torne uma prática contínua. “O maior legado que ela [Maria Feijó] deixa é a liberdade de expressão de uma mulher que lutou para escrever, para publicar, para trazer essa produção à terra natal e também para ocupar novos espaços. É, portanto, uma herança de vibração, entusiasmo e produção intelectual. É com muito orgulho que homenageamos a escritora, que diz muito sobre a produção literária da nossa cidade”, finalizou Iraci Gama, vice-prefeita e secretária da pasta de cultura.

Apresentações teatrais, dinâmicas com bonecos e literatura infantil marcam o 2º dia de atrações da FLIA

As atividades literárias começaram cedo nesta quarta-feira (28), na Praça Conselheiro Rui Barbosa. É que, desde as 8h, profissionais da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo (SECET) estão no local para receber alunos das escolas municipais, professores, comunidade e intelectuais na programação da 1ª Festa Literária de Alagoinhas (FLIA).

No turno matutino, foram realizadas brincadeiras com bonecos gigantes, contação de estórias para crianças e vendas de livros das editoras baianas.

À tarde, foi a vez do “Circo de Só Ler”, que levou musicalidade, encenação, arte e poesia em 2 espetáculos para incentivar a leitura de uma forma divertida na Praça. A ação é fruto da parceria que começou em outubro, quando o poder público trouxe o grupo de teatro com bonecos para apresentações nas escolas municipais.
Finalizando a série da temporada em Alagoinhas, o grupo levou o circo para a Praça, em apresentações gratuitas abertas à comunidade.

Além dos espetáculos, a FLIA trouxe ainda o lançamento do livro “Era uma vez…Alaflorzinhas”, da autora Izabel Cristina da Silva, que fez uma leitura dinâmica de apresentação da narrativa junto aos alunos de escolas municipais.

A história, narrada por 3 flores, perpassa pontos históricos e culturais da cidade, em uma aventura que promete encantar crianças e adultos.

“Eu fiquei impressionada e achei uma iniciativa interessante, até porque a leitura hoje é algo que está ficando cada vez mais difícil e não é uma cultura nossa. Essa questão literária traz para nós a iniciativa de trabalhar isso em sala de aula, com os alunos. Para eles, vivenciar esse momento, conhecendo autores da própria terra, é fundamental. Eu nunca tinha trabalhado com autores da terra. Fiquei impressionada ao ver Izabel trazer Alagoinhas como um conto de fadas e eu tenho certeza de que isso vai ficar no coração das crianças que vieram hoje. Uma semente foi plantada e vai brotar. Foi maravilhoso. Eu gostei demais!”, revelou a diretora da Escola Érico Veríssimo, Adalira Santana Santos, que levou os alunos para uma visita à FLIA.

A reação de quem passava despretensiosamente pelo centro e encontrou uma estrutura literária montada também foi positiva. Sanara Lima Chagas parou para ver a exposição de livros baianos. “É muito legal e é diferente, porque geralmente a gente não vê isso nas praças, então é bom para quem já se formou e para os alunos que estão saindo agora do colégio”, comentou.

Shirley Santana Cerqueira, que caminhava pelo espaço, concorda. “Uma boa iniciativa. Alagoinhas precisa muito de eventos culturais para jovens e principalmente para as crianças. Esse incentivo à leitura tem que ser feito desde pequeno. Faltava isso na cidade”, ressaltou.

Com Yasmin Barros, de 8 anos, da Escola Eraldo Tinoco, não foi diferente. “Achei legal. Gostei muito do final e da ‘pró’ falando”, contou a estudante.

A programação não se encerra nesta quarta-feira (28). Amanhã, a partir das 8h, bibliotecas comunitárias, estandes de editoras baianas, exposições e dinâmicas continuam na Praça Conselheiro Rui Barbosa.

A partir das 20h, a Prefeitura promove uma homenagem a Maria Feijó, cuja obra serviu de referência para a iniciativa, com leituras, declamação de poemas e homenagens à escritora alagoinhense conduzidas pela Casa do Poeta (CASPAL), também na Praça Rui Barbosa.

Foto: Roberto Fonseca
Prefeitura outorga ao escritor Antônio Torres o título de homenageado permanente da Festa Literária de Alagoinhas (FLIA)

O escritor Antônio Torres, filho do Junco, abriu a programação oficial da 1ª Festa Literária de Alagoinhas (FLIA), na noite da última terça-feira (27), relembrando as “luzes verdes” do interior baiano, onde estudou.

Na solenidade em que recebeu da Prefeitura o título de homenageado permanente da FLIA, o escritor esteve acompanhado de sua mãe, Dona Durvalice. Aos 78 anos, o intelectual, ocupante da cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras, relembrou as histórias do menino que, à época, ainda não imaginava, mas se tornaria um dos maiores representantes da literatura brasileira.

De volta à terra que, nos anos 50, o nutriu de sonhos, com os clássicos da literatura e os professores do Ginásio, Antônio Torres falou sobre o estímulo ao ato de escrever, o contato com os livros e o desenvolvimento da cidade que viu em outros tempos. “De todas as homenagens que recebi nessa vida – algumas delas neste vasto estado da Bahia – a mais tocante para mim é esta, desta cidade, que aqui me despertou todos os sonhos, aqui me abriu as suas bibliotecas”, afirmou o escritor.

O convite ao intelectual partiu da vice-prefeita e secretária da pasta de Cultura, Iraci Gama, que dirigiu palavras à Durvalice, mãe do homenageado, citando excertos que transcreviam – e transportavam – à emoção compartilhada do momento em que assistiu, no Rio de Janeiro, ao escritor nordestino que assumia a cadeira fundada por Machado de Assis na Academia Brasileira de Letras.

“Nascido no Junco, região onde é hoje Sátiro Dias, ele vem para Alagoinhas para estudar e é dentro dessa relação que ele vai descobrindo as possibilidades de expressão do pensamento pela linguagem escrita, então é um escritor da região do semi-árido que tem uma relação profunda com essa terra e nós não poderíamos deixar de homenageá-lo”, enfatizou Iraci Gama.

O prefeito Joaquim Neto discorreu sobre o escritor que ganhou o mundo, traduzido em mais de 15 países, e relembrou a primeira leitura de “Essa Terra”, destacando as contribuições inestimáveis do intelectual para a literatura.

O Secretário de Educação de Sátiro Dias, Júlio César, a professora Normandia Azi, e a presidente da Casa do Poeta (CASPAL), Madrilena Berger participaram da solenidade. O evento contou também com homenagens da escritora Cristiane Alves a Antônio Torres e com a presença de alunos da Escola Marco Maciel, da Educação de Jovens e Adultos (EJA), que prestigiaram o escritor.

O evento foi aberto ao público e a programação da FLIA segue até esta quinta-feira (29), com bibliotecas comunitárias, contação de estórias, apresentações teatrais, lançamentos de livros, dinâmicas com bonecos e declamação de poemas.


Fonte: SECOM PMA
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