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domingo, novembro 25, 2018

Projetos e construção da sede da Petrobras em Salvador foram superfaturados em quase R$ 1 bilhão, diz MPF

Com o superfaturamento na construção da sede da Petrobras em Salvador, os projetos e a obra do prédio passaram de R$ 320 milhões para R$ 1,3 bilhão, de acordo com a procuradora do Ministério Público Federal (MPF) Isabel Vieira Groba.

O superfaturamento é alvo de investigação da 56ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta sexta-feira (23). O valor de R$ 1,3 bilhão informado pela procuradora é atualizado. "Esquema bastante orquestrado e organizado de sangria mais uma vez nos cofres da Petrobras", afirmou a procuradora.

Até o momento, 17 pessoas foram presas. Ao todo, há 33 mandados de prisão para 22 alvos. O número de mandados é maior do que o número de pessoas porque alguns dos investigados têm mais do que um endereço.

Três pessoas, conforme a Polícia Federal (PF), estão fora do país. Há ainda 68 mandados de busca e apreensão.

Veja onde há mandados de prisão:
Bahia – 6 preventivas e 9 temporárias
Minas Gerais – 1 temporária
Rio de Janeiro – 6 preventivas e 3 temporárias
São Paulo – 2 preventivas e 6 temporárias

Segundo a PF, os presos preventivamente, ou seja, por tempo indeterminado, serão levados à Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.

Superfaturamento

Houve superfaturamento nos contratos de gerenciamento da construção, de elaboração de projetos de arquitetura e de engenharia, de acordo com a PF. De acordo com a procuradora do MPF, o superfaturamento foi acertado entre a Petrobras e o Fundo Petrobras de Seguridade Social - Petros para bancar o esquema de propina.

A Petros se comprometeu a realizar a obra e a Petrobras, a alugar o imóvel por 30 anos. O contrato de aluguel do imóvel começou em novembro de 2010 custando cerca de R$ 3 milhões mensais e chegou a R$ 6 milhões mensais em 2016. "Isso gerou um compromisso financeiro de R$ 1,3 bilhão para a empresa", disse a procuradora Isabel Vieira Groba.

O nome da sede da Petrobras, em Salvador, é Torre Pituba. O prédio foi construído pela OAS e pela Odebrecht – ambas já investigadas anteriormente pela Lava Jato.

"Quem construiu a planilha de preços para a contratação de obras foi a OAS e a Odebrecht", disse procuradora Isabel.

As duas empreiteiras distribuíram vantagens indevidas de, pelo menos, R$ 68.295.866 que representam quase 10% do valor do total da obra, segundo o MPF. Os valores eram direcionados, segundo o PF, para viabilizar o pagamento de vantagens indevidas para agentes públicos da Petrobras, do PT e dirigentes da Petros.

"O efeito da corrupção é nocivo", afirmou a procuradora do MPF Laura Gonçalves Tessler, ao mencionar o prejuízo causado à Petrobras e ao Fundo Petrobras de Seguridade Social (Petros). A procuradora Isabel pontuou que "a fraude estava instalada dentro da Petros". O esquema de contratações fraudulentas e pagamentos de vantagens indevidas aconteceu entre 2009 a 2016, de acordo com o MPF.

O delegado da PF Christian Wurster disse que a investigação desta etapa da Lava Jato se iniciou por meio da delação de dois operadores ligados ao doleiro Alberto Youssef: Roberto Trombeta e Rodrigo Morales.

Prisões

A PF não divulgou os nomes dos alvos de prisão, pois, até a última atualização desta reportagem, a operação estava em andamento. Contudo, o site G1 apurou que Marice Correa, cunhada do ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Vaccari Neto, foi presa temporariamente em São Paulo. Mario Cesar Suarez, da OAS, também foi preso, mas em caráter preventivo. A prisão dele ocorreu na capital baiana. Já Wagner Pinheiro Oliveira, ex-presidente da Petros e Correios, foi alvo de busca e apreensão no Rio de Janeiro.

Fonte: G1 Paraná
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