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domingo, novembro 04, 2018

Prefeitura destaca incremento no número de animais e programação diversificada para a família na 21ª Expo Alagoinhas

Depois de receber aproximadamente 500 alunos da rede municipal de ensino para visitas guiadas, durante o dia, e seguindo uma programação intensa e diversificada que promete movimentar o Parque de Exposições, a Prefeitura realizou, nesta quinta-feira (1), a abertura oficial da 21ª Expo Alagoinhas.
Durante a solenidade, o secretário municipal de agricultura, Geraldo Almeida, destacou a expectativa para venda de animais e falou sobre a estrutura da exposição, que dispõe este ano de 151 argolas para o gado Girolando e 50 para o Gir Leiteiro, sem contar as baias dispostas para receber os cavalos Campolina e Mangalarga Marchador, que estreia a participação na feira de Alagoinhas.
O secretário enfatizou que a proposta da edição é fortalecer o agronegócio, mas também proporcionar um espaço de lazer e diversão às famílias. “Nosso intuito, este ano, é oportunizar a empresários o surgimento de novas propostas, mas também trazer, às famílias, uma opção de programação cultural, que dialogue com a importância do setor e permita, à população de um modo geral, conhecer características da nossa agricultura familiar, da história das casas de farinha, do campo e dos animais. É preciso lembrar que, entre 2016 e 2017, este parque de exposições estava completamente abandonado, com 2 pavilhões no chão, e que fizemos um trabalho intenso de recuperação do local. O prefeito tem sido sensível a esta questão e tem dado todo o apoio para que esta exposição venha crescendo. Em 2018, temos 650 animais para este grande evento, então a previsão é de que a feira movimente ainda mais vendas do que no último ano”, ressaltou.
Na programação deste ano, estão previstos torneios leiteiros, julgamento de raças com classificatória para o ranking nacional, minicursos gratuitos, palestras, espaço de hortaliças da agricultura familiar, casa de farinha para visitação, estandes de artesanatos e área de lazer infantil com montaria para as crianças.
O prefeito Joaquim Neto destacou as mudanças estruturais pelas quais passou o parque de exposições para que pudesse chegar a sediar esse tipo de evento e falou sobre a importância dos produtores locais para o desenvolvimento da região. “Precisamos valorizar o que vem da nossa terra. Esta é uma noite muito feliz. Muita coisa mudou desde que assumimos o compromisso com a recuperação deste espaço, que hoje conta com pista para corrida de cavalos, baias, estrutura. É preciso destacar, além dos animais, também a importância dos nossos produtores da agricultura familiar, que estarão expondo seus produtos durante todo o evento. Então é uma programação diversificada, com atividades educativas, espaço de lazer, área gastronômica, horta, casa de farinha, julgamento de raças e muitas atrações não apenas para os entusiastas do segmento, mas para toda a população de Alagoinhas”, afirmou.
O criador da raça Girolando, Fernando Rocha, acrescentou que a Expo Alagoinhas já iniciou as festividades do evento com novos recordes. É que, segundo ele, nesta quinta-feira, o município registrou 153 animais da raça Girolando em pista – 30 a mais, em quantidade, do que o número contabilizado em Maceió, na última semana. “É um recorde no norte e nordeste, fruto do trabalho que vem sido realizado nos últimos anos”, enfatizou.
A SEMAG informou que espera um aumento também no número de vendas e de participantes em relação ao ano passado.
Em leilões, a estimativa é de que os negócios das raças Girolando e Gir Leiteiro registrem uma evolução de 50%, com mais de R$ 600 mil movimentados.
O evento é realizado pela Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Agricultura, e conta com apoio do Banco do Brasil, da BSC Copener e do Governo do estado, através da Secretaria de Agricultura.
Estiveram presentes na solenidade os vereadores Juracy Nascimento, Cleto dos Santos, popularmente conhecido como “Cleto da Banana”, Raimundo Alves, o “Gode”, e o presidente da Câmara, Roberto Torres. Também participaram da abertura oficial os criadores Rubem Sérgio Santos Oliveira, Jorge Lidório, Nilton dos Anjos e Fernando Rocha, além do representante das forças empresariais, Benedito Vieira.
Cursos, palestras e programação diversificada com julgamento de animais movimentam Expo Alagoinhas 
A manhã desta sexta-feira (2) começou com uma atividade de fomento ao empreendedorismo no Parque de Exposições. É que, com a proposta de trazer visibilidade para a piscicultura enquanto atividade econômica e de oferecer, na grade de programação de feira, também opções de atividades formativas e palestras, a Secretaria de Agricultura, em parceria com a Bahia Pesca, ofereceu aos visitantes um curso gratuito sobre criação de peixes em tanques móveis.
Com cerca de 45 participantes e tendo como foco a tecnologia de tanques elevados, a atividade foi ministrada por Paulo Roberto Reis, que trabalha com piscicultura há mais de 20 anos e destacou o potencial econômico do estado no segmento. Segundo ele, o maior produtor de tilápias em tanques rede a nível nacional, este ano, foi baiano e há um mercado a ser explorado. “O objetivo principal foi compartilhar o conhecimento e incentivar a diversificação da produção rural no município, com fomento às atividades de piscicultura. É importante que a tecnologia chegue com eficiência e rapidez ao produtor da zona rural”, ressaltou.
Simultaneamente à palestra, o Parque de Exposições Miguel Fontes sediou, na manhã desta sexta-feira (2), julgamentos das raças Campolina, Gir Leiteiro e Girolando. No total, 4 responsáveis técnicos se dividiram no quesito das avaliações que, segundo o zootecnista Gabriel Khoury, foram observados segundo critérios de morfologia, caracterização leiteira e capacidade digestiva. “Tivemos um número expressivo de animais participando este ano, superando, no quantitativo, a feira do ano passado. É um evento que envolve muitos setores e agrega muito conhecimento, não apenas através dos julgamentos de raças, mas das palestras, das interações, do compartilhamento que o espaço proporciona. Então é importante para o produtor local, para os criadores e para a população de uma forma geral”, pontuou.
No período da tarde, foi a vez de caprinos e ovinos participarem das avaliações técnicas. No total, 180 animais estiveram na feira este ano, com duas raças de ovinos e 6 de caprinos participando do julgamento.
“O número de animais tem sido crescente. No último ano, havíamos conseguido trazer pouco mais de 100. Este ano, já batemos a marca de 180. O intuito é que a feira continue se expandindo e proporcionando um ambiente favorável à movimentação de negócios no setor”, comentou André Freire, criador de ovinos e caprinos.
Para o período da noite, a 21ª Expo Alagoinhas promete um grande leilão de cavalos Pampa e gado Nelore, a partir das 19h.
Pouco antes, às 18h30, o veterinário e zootecnista Roberto Bacelar ministra uma palestra gratuita sobre rebanho de cruzamento industrial. O criador da raça Campolina vai abordar temas como rendimento, precocidade e lucratividade com o setor.
No sábado, a previsão é de que novos leilões e julgamentos sejam realizados ao longo do dia. Além disso, criatório de aves, espaço da agricultura familiar, estandes de expositores e parque infantil continuam recebendo visitantes durante todo o dia.
“Foi intenção da secretaria de agricultura trazer uma programação diversificada, que contemple as necessidades dos criadores e entusiastas da agropecuária, mas que atenda também às famílias de uma forma geral, como um espaço de gastronomia, de diversão e de compartilhamento. A ideia é fomentar negócios, mas também trazer, às famílias, uma opção de programação cultural”, afirmou o secretário municipal de agricultura, Geraldo Almeida.
Valorização da cultura e preservação da memória: construída na área próxima à agricultura familiar, casa de farinha tradicional recebe visitantes na Expo Alagoinhas

Tem gente que chama de mandioca, manaíba, macaxeira, maniva, aipim e a variação – quase sempre regional – acaba denunciando as particularidades da cultura e da tradição. Foi com foco em valorizar os trabalhadores rurais e despertar a atenção das pessoas para as tradicionais casas de farinha da região que a Prefeitura, através da Secretaria de Agricultura, acrescentou, este ano, uma nova construção à área direcionada à agricultura familiar na Expo Alagoinhas.
Ao lado da casa de taipa, com paredes de barro, fogão à lenha e chão de terra, construída pelas mãos cuidadosas do agricultor baiano César Silva Moura, foi estruturada uma vizinha de portas abertas, totalmente equipada aos moldes tradicionais para a farinhada que vira massa, goma, beiju.
E então o cocho, a prensa, o forno e o rodete – montados no Parque de Exposições com o apoio de agricultores como José Linaldo, o “Zeca”, presidente da UARA – ganham outra história se contados a partir da perspectiva de quem, desde cedo, aprendeu a trabalhar com a produção e o processamento da mandioca.
“Eu posso dizer assim ‘eu nasci os dentes dentro das casas de farinha’. Agora com 6 anos é que a gente vai começando a assimilar as coisas. Mas, com 5 anos, eu já estava raspando mandioca”, disse Zeca, que continuou “aquele rodete tem 57 anos, veio de meu avô e a gente guarda como uma relíquia em casa”, revelou.
A peça traz uma história que perdura na memória e na trajetória de desenvolvimento da cidade. “Meu bisavô tinha casa de farinha, passou para o meu avô e assim continuou. Tinha uma prensa que hoje não existe mais, que a gente enrola 2 cordas e vai puxando. Todo mundo na família fazia, trabalhando todo mundo junto. Casa de farinha é coletividade, casa de farinha é um mutirão”, ressaltou Linaldo sobre a cultura da farinhada.
Para Neuma de Jesus Silva, não é apenas uma história que se repete, mas que permanece atual, ainda que com as particularidades e enquadramentos de um novo período. “Eu aprendi com minha mãe, que agora está com 75 anos, e com minha avó. Para eu conseguir a goma, eu tiro a mandioca da terra, raspo, tiro a casaca, lavo. Antigamente, a gente ralava manualmente. Hoje já é elétrico, não é mais no rodete. Faço no motor. Depois que eu ralo, vira uma massa, que eu coloco na água, em sacolas de nylon. Vou jogando água até sair toda a goma. Então eu pego um pano, passo, para não ficar o excesso da massa, e deixo de um dia para o outro. No dia seguinte, retiro a água e, no final da vasilha, está a goma. Coloco em térmicas e vou conservando. Todo dia, tiro a água da goma e trabalho”, explicou.
Com a técnica passada de geração para geração, as casas de farinha resistem, perduram e alimentam. Da manaíba plantada saem produtos para a comercialização. E os 100 litros de goma que Neuma faz mensalmente, no trabalho da casa de farinha, rendem beiju seco, beiju molhado, farofa, tapioca, sequilho.
Isso foi uma coisa que eu aprendi lá do período de minha avó, hoje já falecida, de minha mãe, e eu procuro preservar os ensinamentos que me passaram. É um processo. Cansativo, trabalhoso, mas que vem de geração para geração. Me sinto feliz por fazer a mesma atividade que minha mãe e minha avó faziam”, enfatizou, orgulhosa.
No total, o município conta hoje com mais de 200 casas de farinha, sem contar as casas de beiju. Das mais rústicas às mais modernas, essas casas contam a história das mãos por onde passaram e de tudo o que está para além delas.
E a atividade que vira renda para muitas famílias vem de uma matéria-prima tradicionalmente cultivada do Brasil, que remete à origem indígena do povo, à cultura e à tradição.
De acordo com a Secretaria de Agricultura, trazer este espaço, em 2018, para a feira, e contar essa história, não apenas às crianças da rede municipal, que fizeram uma visita guiada durante a semana, mas às pessoas, de uma forma geral, é também contribuir para a valorização desses produtores e apoiar o desenvolvimento desta esfera.
Segundo levantamento do portal Governo do Brasil, a agricultura é hoje um dos principais faturamentos anuais do mundo quando o quesito é produção familiar. Gerando um total de US$ 55,2 bilhões por ano só com esse tipo de produção, o Brasil ocupa posição de destaque no agronegócio mundial, conquistando a 8ª colocação entre países como China, Rússia, Indonésia e Japão.
Para se ter uma ideia, a agricultura familiar produz 70% do feijão nacional, 87% da mandioca e quase 50% do milho. Na Bahia – unidade da federação com maior número de agricultores familiares do Brasil ¬– são mais de 665 mil estabelecimentos rurais de agricultores responsáveis, por exemplo, por 90% da mandioca plantada em todo o estado.
“Temos um potencial econômico muito grande nessa área. É preciso lembrar que a farinha de mandioca compõe vários pratos da culinária brasileira e que é responsável por matar a fome em muitas regiões do país. Nossa região tem uma tradição muito grande das casas de farinha, então imaginamos que trazer esse espaço de visitação à Expo Alagoinhas pudesse contribuir para trazer visibilidade e valorização a essa atividade tão importante que diz sobre a cultura e a identidade da nossa região”, comentou o secretário de agricultura Geraldo Almeida.
O espaço fica aberto ao público até este domingo (4). O visitante que tiver interesse, ainda pode aproveitar a oportunidade para se deliciar no beiju preparado dentro do local, totalmente equipado segundo os moldes das casas de farinha tradicionais.
Fonte: SECOM PMA
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