segunda-feira, setembro 03, 2018

Incêndio de grandes proporções atinge Museu Nacional no Rio de Janeiro

 segunda-feira, setembro 03, 2018  |  Redação PAN  Brasil

Um incêndio de grandes proporções atingiu neste domingo (2) o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, na zona norte do Rio. Cerca de 50 homens de sete quartéis estavam no local combatendo as chamas desde às 19h30. Parte do interior do edifício desabou.

O fogo começou depois que o local já havia encerrado a visitação —tanto do museu quanto do zoológico que também fica na Quinta da Boa Vista. Ainda não há informações sobre vítimas.

Mais antigo do país, o Museu Nacional é subordinado à UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e vem passando por dificuldades geradas pelo corte no orçamento para a sua manutenção. Desde 2014, a instituição não vinha recebendo a verba de R$ 520 mil anuais que bancam sua manutenção e apresentava sinais visíveis de má conservação, como pareces descascadas e fios elétricos expostos.

A instituição está instalada em um palacete imperial e completou em junho 200 anos —foi fundada por d. João 6º em 6 de junho de 1818. Seu acervo, com mais de 20 milhões de itens, tem perfil acadêmico e científico, com coleções focadas em paleontologia, antropologia e etnologia biológica, entre outras. Menos de 1%, porém, estava exposto.

O museu guardava o meteorito do Bendegó, o maior já encontrado no país, e uma coleção de múmias egípcias —inclusive o crânio de Luzia, a mulher mais antiga das Américas. Além de coleções de vasos gregos e etruscos (povo que viveu na Etrúria, na península Itálica), e o primeiro dinossauro de grande porte já montado no Brasil.

“É um prejuízo incalculável para a ciência e para a história do Brasil. A história brasileira está sendo queimada”, lamentou o professor de geologia João Wagner Alencar Castro, funcionário da UFRJ que chegou ao museu por volta das 21h30 para acompanhar o trabalho de contenção dos danos.

Castro disse que estima-se que 20% do acervo ainda esteja preservado e que foi surpreendido pela proporção do incêndio, uma vez que a administração da instituição fez investimentos em brigada de combate à incêndio recentemente.

“A gente está muito emocionado. É como se tivesse morrido alguém muito próximo da gente”, afirmou ele.

A Quinta da Boa Vista foi evacuada para o combate às chamas. Do lado de fora, dezenas de pessoas acompanham de longe o trabalho dos bombeiros. Uma das frentes de atuação tenta isolar uma parte do edifício que ainda não foi atingida pelo fogo.

"O maior acervo é este prédio, um palácio de 200 anos em que morou d. João 6º, d. Pedro 1º, onde foi assinada a Independência. A princesa Isabel brincava aqui, no jardim das princesas, que não está aberto ao público porque não tenho condições", disse à Folha em maio Alexander Kellner, 56, diretor do Museu Nacional.

A historiadora Mary del Priore disse que "não é o primeiro museu que queima". "Tivemos a Capela Imperial, na UFRJ, que foi queimada. Mas as pessoas apenas lamentam depois. Toda vez que o Museu Nacional precisou de verbas, o apoio da população era zero. Agora todo mundo chora", afirmou.

O historiador José Murilo de Carvalho chamou o incêndio de "catástrofe para a história e a cultura brasileira". "Não é um acervo importante para o Brasil, mas para pesquisadores internacionais também. Toda a coleção de d. Pedro 2º [está lá]. Agora nem sabemos se o prédio vai ficar de pé."

Em maio, 10 de suas 30 salas de exposição estavam fechadas, incluindo algumas das mais populares, como a que guarda um esqueleto de baleia jubarte e a do Maxakalisaurus topai —o dinoprata, primeiro dinossauro de grande porte já montado no Brasil.

Para reabrir a sala, interditada havia cinco meses após um ataque de cupins, o museu armou uma campanha de financiamento coletivo na internet —e arrecadou R$ 58 mil, mais do que a meta de R$ 30 mil.

A decadência física do prédio já era visível para os visitantes, que pagavam R$ 8 pelo ingresso inteiro. Muitas de suas paredes estavam descascadas, havia fios elétricos expostos e má conservação generalizada.

No bicentenário, a instituição celebrou com o BNDES um contrato de R$ 21,7 milhões para investir em sua restauração. Havia outra negociação milionária encaminhada para bancar uma grande exposição —a expectativa era de que cinco das principais salas fossem reabertas até 2019.

Alexandre Kellner dizia ser necessários R$ 300 milhões, investidos ao longo de pelo menos uma década, para executar o Plano Diretor do museu.

O último presidente a visitar o museu foi Juscelino Kubitschek (1956-1961), lembra o diretor. "O Brasil não sabe da grandeza, da riqueza disso aqui. Se soubesse, não deixaria chegar neste estado", disse Kellner, em maio.

O presidente Michel Temer afirmou neste domingo (2) que a perda do acervo do Museu Nacional é "incalculável" para o Brasil. "Hoje é um dia trágico para a museologia de nosso país", disse.

"Foram perdidos duzentos anos de trabalho, pesquisa e conhecimento. O valor para nossa história não se pode mensurar, pelos danos ao prédio que abrigou a família real durante o Império. É um dia triste para todos brasileiros", diz a nota assinada por Temer.

O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, afirmou que o governo começará nesta segunda-feira (3) a fazer o projeto de reconstrução do Museu Nacional, atingido por um incêndio de grandes proporções.

"Já falei com o presidente Michel Temer e com o ministro da educação. Amanhã [segunda-feira] vamos começar a fazer o projeto de reconstrução do Museu Nacional. Para ver quanto é e como viabilizar", disse.

OUTROS MUSEUS INCENDIADOS

Em julho de 1978, um incêndio destruiu quase todo o acervo do MAM (Museu de Arte Moderna) do Rio de Janeiro.

Só da exposição "Geometria sensível" foram devoradas pelo fogo 200 obras —80 eram telas do uruguaio Torres García. Em 40 minutos, o fogo já havia destruído também duas telas de Picasso, duas de Miró e centenas de obras de artistas brasileiros. O fogo, iniciado às 3h40m, foi debelado pelos bombeiros em duas horas e meia.

Do acervo, de mais de mil peças, incluindo também obras de Matisse, Dalí e Portinari, restaram apenas 50. O estrago foi tamanho que apenas nos anos 1990 as instituições internacionais voltariam a confiar no país para abrigar exposições de grande porte.

Mais recentemente, em 2015, o Museu da Língua Portuguesa, na Praça da Luz (região central de São Paulo), também foi atingido por um incêndio de grandes proporções. O bombeiro civil que trabalhava no museu morreu.

No dia da tragédia, o museu estava fechado para o público. Ele tinha três pavimentos, uma área de 4,3 mil m², e havia sido inaugurado em 2006.

Todo o acervo do museu, porém, era virtual e foi recuperado. Havia uma linha do tempo de 33 metros para reconstituir todo o caminho da língua portuguesa, africana e ameríndia até se encontrar no Brasil.

Ainda em obras, a previsão é que o museu reabra as portas no segundo semestre de 2019.

Fonte: Bahia Notícias


Publicidade:

Compartilhe a Notícia


COMENTE COM SUA CONTA VIA FACEBOOK
ATENÇÃO: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Portal Alagoinhas News. É vetada a postagem de conteúdos que violem a lei e/ ou direitos de terceiros. Comentários postados que não respeitem os critérios podem ser removidos sem prévia notificação.
Caro Leitor,

Este texto não reflete, a opnião do Portal Alagoinhas News, agradecemos sua visita, volte sempre.

Política de PrivacidadeTermo de Uso
Portal Alagoinhas News | O site de notícias de Alagoinhas - Bahia e Região!

Todos os Direitos Reservados a Silva Serviços - Desenvolvido Por: Bloggertheme9

Copyright © 2012 - 2018
back to top