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terça-feira, julho 17, 2018

Baiana com ossos de vidro se formou em Psicologia

Limitações existem para serem superadas. Pelo menos, sempre foi assim para Glady Maria da Silva, 51 anos. A menina que só conseguiu o direito de estudar aos nove anos por conta da doença chamada osteogênese imperfeita, conhecida popularmente como ‘ossos de vidro’, se formou em Psicologia e já está cursando a segunda pós-graduação. 

Devido a fragilidade óssea, a baiana já teve mais de 100 fraturas, mas a persistência para vencer as adversidades foi sempre maior. ‘As escolas alegavam que minha presença ia afastar os outros alunos. Quando comecei a estudar, aos 9 anos, já sabia ler e escrever. Aprendi em casa porque minha mãe não desistiu de mim’, conta, destacando que com a mãe aprendeu a lidar com olhares e comentários preconceituosos. Todos os empecilhos que poderiam fazê-la desistir, a tornaram mais forte. ‘Queria conquistar tudo que as pessoas normais tinham. Queria estudar, trabalhar e, com muita luta, consegui’, comemora. 

Após a conquista do sonhado diploma, Glady seguiu investindo em conhecimento. Hoje, atende em um consultório particular, mas não deixa de atuar voluntariamente na área de Psicologia, amenizando sofrimento de muitos pacientes que não poderiam pagar pelo atendimento especializado. ‘Também toco teclado na paróquia que frequento’, acrescenta orgulhosa. 

Glady só aceitou a cadeira de rodas, quando entrou na faculdade e sentiu a necessidade de se locomover sozinha, pois até então era carregada por pessoas de forma cuidadosa. ‘Hoje minha cadeira são minhas pernas. Como ela passei a ter uma autonomia muito grande, consigo me locomover para onde quero.’

Atualmente, a psicóloga pensa em lançar um livro, uma autobiografia. A obra já tem até título: ?Minha Auto Superação. Traduzir a própria história em palavras tem sido difícil. ‘É como se eu revivesse tudo novamente, pois você acaba acessando muitas emoções, mas eu espero que esse livro sirva de ajuda e suporte para quem precise’, afirma. O livro já está em fase de revisão, mas a autora ainda batalha por apoio para publicação. ‘Não desisto; sou guerreira.’ 

Além do livro, ela não abre mão de um outro sonho: reformar a casa em que mora com a mãe, de 81 anos. Além de adaptar o imóvel às suas necessidades de acessibilidade, o desejo é dar um pouco mais de conforto para sua mãe, que venceu todas as dificuldades e a criou sozinha. ‘Depois de tanta luta, ela merece mais conforto.’

Fonte: Revista Educa Brasil
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